sábado, 19 outubro 2019
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O que mudou com a nova norma de SPDA?

Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (SPDA), ou popularmente conhecido como ”para raios”, é um assunto que nem sempre é comentado ou lembrado nos edifícios. Esse item de extrema importância, tanto para proteção da vida humana como de equipamentos, vem ganhando novos olhares ao longo do tempo. Tanto que em 2015 a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) revisou e publicou o novo texto da ABNT NBR 5419, norma especifica para esse assunto.

Qual o motivo de se preocupar tanto com esse item? Somos um dos países com maior incidência de descargas atmosféricas do mundo, com uma média anual de 50 milhões de raios. Como comparativo, no Brasil cai por ano, um raio para cada quatro brasileiros e as perdas devido a esses itens são muito grandes. Em se tratando de vidas humanas foram registradas entre 2000 e 2012, 1.601 mortes por descargas atmosféricas.

Foi pensando nesses números que se resolveu alterar o texto da referida Norma e com muita eloquência; a Norma praticamente quadruplicou de tamanho, com mais de 400 páginas sobre o assunto, tanto que para facilitar o entendimento foi dividida em quatro partes.

Vou explanar um pouco sobre cada parte.

PARTE 1

Na primeira parte, são tratados os princípios gerais, com especificação de equipamentos, documentações, definições e termos entre outros; é uma parte introdutória.

PARTE 2

A segunda parte, essa totalmente nova, trata da análise de riscos de uma estrutura, a partir desse novo texto, a definição do tipo de equipamento ou da isenção, parte de uma análise detalhada e minuciosa sobre os riscos específicos a cada estrutura, não partindo mais de uma tabela pré-definida. Cada caso deve ser analisado individualmente para definir categoria de risco, que pode variar de I a IV para então dimensionar a proteção.

PARTE 3

A terceira parte, traz o SPDA em si, com detalhes técnicos de construção, malha de aterramento, descidas para terra, etc. Nesse item também se definiu que os sistemas precisam de manutenção periódica e laudo de engenheiro eletricista, atestando o bom funcionamento do mesmo. Para regiões litorâneas esse período de validade do laudo é de um ano ou sempre que o sistema sofrer uma descarga.

PARTE 4

A quarta parte, também nova, fala do MPS (Medidas de Proteção contra Surtos). Esse item, também novo, traz as novas tecnologias e os equipamentos que precisam ser instalados internamente nas edificações para aumentar a proteção e garantir a segurança. Exemplo disso é o DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos) que é instalado
diretamente no quadro elétrico e consegue dissipar uma carga que possa cair na rede elétrica.

Ainda, a falta de conhecimento e de boas práticas em construção e manutenção, muitas vezes aumenta o risco de forma exponencial em condomínios. O SPDA deve sempre ser o ponto mais alto do edifício, garantindo que o contato mais próximo do raio serão os captores. Mas não é raro encontrar antenas e equipamentos em cima dos telhados, que não se encontram aterrados e muito menos conectados a malha de descida dos para raios. Dessa forma esses equipamentos passam a se tornar captores que vão dissipar suas descargas nos cabos de antena, na estrutura do telhado, etc.

Raios são uma das formas de energia mais violentas que conhecemos e prevenir é sem dúvida a melhor solução. Verifique seu sistema de para raios e garanta que seu condomínio esteja seguro.

 

 

Gilmar Rafael Otto
Engenheiro Eletricista.
CREA 128433-5

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